
Ser pai é uma experiência única. Ser pai após 10 anos e 11 meses de casado, nem se fala. Mas por que demoramos tanto? A demora não foi por opção nossa, nunca evitamos a gravidez. O fato é que, nos primeiros anos de casados (Tatiane e eu nos casamos em maio de 2006), percebemos que algo estava errado: minha esposa não engravidava. Então, começamos a investigar, primeiro ela. Nesse processo de investigação (que durou um tempo considerável), ela descobriu um cisto no ovário e, por meio de uma cirurgia, foi retirado o cisto e o ovário! A situação ficou um pouco mais desanimadora quando o médico nos disse que o ovário que sobrara estava com a trompa prejudicada. Ele tentou nos explicar de uma forma compreensível que era impossível o esperma passar por aquela trompa. Foi um baque! Anos foram passando…
Paralelo a isso, eu também estava realizando alguns exames e fiz o tradicional espermograma. Não relutei em fazer, mas foi constrangedor. O resultado? Me lembro como se fosse hoje: prejudicado devido ao baixo número de espermas. É para desanimar, não é mesmo? Pois é, ficamos muito desanimados. A Tatiane sofria mais do que eu, pois a vontade de ter filhos começou primeiro com ela. Após esse exame, fiz também uma cirurgia de retirada de varicocele, na região do testículo. Bom, eu e minha esposa sabíamos agora que os dois tinham problemas de fertilidade. Com esse quadro desfavorável, ouvimos claramente do médico: “Ou vocês adotam, ou partem para uma fertilização in vitro”. A essa altura, eu estava determinado em ser pai, só não sabia como.
Minha esposa começou então a orar a respeito. Ela começou a orar primeiro do que eu, mas também comecei a orar em seguida. O tempo passou mais um pouco e, às vezes, tínhamos fé e, às vezes, não tínhamos fé; era uma montanha-russa de pensamentos e emoções, só Deus sabe. Em meados de 2010, um missionário amigo nosso, o Edson Freitas, foi ministrar a palavra em nossa igreja (IEQ Igarapés) e, naquele dia, o Espírito Santo falou por meio dele que minha esposa ficaria grávida! Imagina a nossa felicidade, choramos de alegria. Mas o tempo passou e nada; nessa época já estávamos casados há uns 6 anos. Depois disso, Deus começou a usar outras pessoas para falar conosco a respeito de gravidez (eu sou do tipo “cismado” com profecia, e para ser de Deus deve ter confirmação bíblica; aliás, a Bíblia é a fonte principal de revelação, e penso que Deus deve falar conosco primeiro antes de falar a terceiros). Houve um momento em que Deus falava tanto conosco sobre isso, e de tantas formas, que chegamos até a duvidar se “era Deus mesmo”.
Bom, confesso que por um momento desacreditamos que Deus pudesse fazer esse milagre. Já em 2015, minha esposa foi despedida do trabalho e decidimos pela ocasião utilizar o dinheiro para realizar a fertilização in vitro (que era bem cara, por sinal); pensamos que o milagre que Deus faria seria dessa forma. Assim fizemos, procuramos uma clínica e marcamos a primeira consulta. A médica nos explicou todo o procedimento e nos solicitou uma bateria de exames inicial — acredite, eram muitos, mas muitos exames. Acontece que um dos exames que minha esposa precisava realizar deveria ser feito no período de sua menstruação. Fomos para casa com os exames em mãos, e minha esposa aguardando o dia de sua menstruação chegar para realizar o exame. Mas a menstruação dela simplesmente não vinha. E, sem que eu soubesse, ela decidiu realizar um teste de farmácia — e acredite, deu positivo!!! Ela estava GRÁVIDA! Eu não conseguia acreditar, mas era verdade, estávamos grávidos! Glória a Deus! Minha esposa chorou muito; já eu não conseguia nem rir e nem chorar, fiquei sem reação. Então cancelamos todos os procedimentos na clínica, minha esposa já estava grávida! (Obs: o dinheiro que usaríamos para pagar a fertilização, minha esposa ofertou como voto a Deus na igreja).
Começamos então os preparativos: quarto, enxoval, chá disso, chá daquilo, consultas com o médico, etc. E o nome? Depois que descobrimos que era menina, escolhemos: Kamile. Eu sempre acompanhava a Tatiane nas consultas. Os meses foram avançando: 1º mês, 2º mês, 3º… Era só alegria, Deus havia feito um milagre! Todos na igreja compartilhavam conosco da nossa alegria, era só festa.
No oitavo mês, fomos a um ultrassom de rotina da Kamile e, nesse dia, as coisas mudaram — mudaram para pior. Minha esposa estava deitada na maca; a doutora que realizava o ultrassom começou a nos dar umas “olhadas diferentes”, a “resmungar consigo mesma”, até que ela perguntou: “Tatiane, você andou perdendo líquido?”. “Não”, minha esposa respondeu. Nessa hora, eu já comecei a suar frio. “Por quê?”, a Tatiane perguntou. “É que você está sem líquido, sua bebê está correndo riscos”. Gente, para resumir a história, saímos às pressas da clínica de ultrassom e, após passar com o médico que nos acompanhava rotineiramente, fomos encaminhados ao hospital onde, no dia seguinte, a Kamile teve de nascer prematuramente (parto cesárea). Ela pegou uma infecção hospitalar e, um dia após ter nascido, não resistiu e faleceu. A dor que sentimos foi inexplicável.
Eu me perguntava: “Mas, não era um milagre de Deus? Por que isso teve de acontecer?”. Além do luto, estávamos confusos. Não entendíamos o porquê Deus havia permitido aquilo acontecer. Em contrapartida, tivemos muito apoio dos familiares (estiveram conosco o tempo todo); meu primo “Dé” nos encheu de palavras de consolo! E irmãos de nossa igreja mostraram que nos amavam de verdade e nos ajudaram muito, até mesmo financeiramente.
Foi difícil, mas com a ajuda de todos e do Espírito Santo, superamos essa fase. Durante essa caminhada de altos e baixos, entendi que Deus não perde o controle de nada, mesmo quando não compreendemos. Para quem me pergunta sobre o que me ajudou a manter a esperança e entender os planos do Senhor, sempre recomendo a leitura de Uma vida com propósitos. Foi esse conteúdo que me deu base para compreender que cada etapa do nosso processo faz parte de algo maior. Se você busca esse alicerce para sua própria jornada, esse kit com o livro e a Bíblia é uma ferramenta preciosa.
5 meses se passaram e as lágrimas deram lugar à esperança
Após cinco meses do falecimento da Kamile, em julho de 2016, minha esposa engravidou novamente. Trinta dias antes da Tatiane atestar positivo, fiz um voto a Deus de que “se minha esposa engravidasse ainda aquele ano, eu ficaria toda a gestação sem fazer a barba”. No dia em que fiz este voto, também consagrei uma oferta de R$ 70,00 (era o que eu tinha no momento). Bom, no desenrolar da gravidez ficamos apreensivos; era uma mistura de alegria e medo , mas para a glória de Deus deu tudo certo. E NO DIA 5 DE ABRIL DE 2017 NASCEU NOSSO MILAGRE, E NOSSO MILAGRE VEIO A SE CHAMAR MILENA!
“Pois nada é impossível para Deus”. (Lucas 1:37)
Querido leitor, não sei qual é o milagre que você está aguardando, mas aí está a nossa história. Tivemos de passar por um processo, mas o milagre veio. Cremos que em tudo Deus tem um propósito. Estamos em um processo de crescimento com Deus, e Deus não pula etapas no processo. Mas Ele nos ama e sempre fará mais do que pedimos ou pensamos. Obrigado, Jesus.


Deixe um comentário